Nosso país é de clima tropical, havendo poucas regiões onde o frio é mais intenso. Mesmo assim, essa notícia é particularmente interessante, principalmente quando pensamos em armazenamento em nuvem.

Para entender bem o conceito de armazenamento em nuvem, precisamos saber que não é aquilo que vemos no céu e que provoca chuvas, mas sim um lugar real, onde tudo fica armazenado em servidores, totalmente conectados e organizados em torres dentro de armazéns gigantescos.

Os centros de armazenamento de dados são um local pouco visitado por pessoas comuns, mas a reportagem da BBC de Londres entrou num desses labirintos e descobriu que eles não apenas guardam a informação, como também geram calor para aquecer casas na cidade de Estocolmo, capital da Suécia, que possui mais de 900 mil habitantes.

Vamos entender melhor como isso funciona:

O labirinto da internet em nuvem

No centro de armazenamento de dados, o ar é frio e seco, todas as superfícies devem ser mantidas limpas e os servidores possuem milhares de luzes, que ficam piscando sem parar. Em todos os locais é possível encontrar cabos, ligando os servidores em todas as direções.

O ambiente também é muito barulhento em virtude dos ventiladores usados para refrigerar os servidores. Isso é fácil de analisar quando vemos o quanto um notebook esquenta. Agora, imagine um armazém com centenas de máquinas ligadas e trabalhando 24 horas por dia.

A refrigeração do ambiente é feita com água fria e com ventiladores, que fornecem ar fresco e sugam o ar quente do ambiente. Geralmente, o calor é descartado no próprio ambiente, mas a Suécia decidiu aproveitar essa fonte de energia.

O projeto de reaproveitamento do calor leva o nome de Stockholm Data Parks, ou Parques de Dados de Estocolmo, e funciona em parceria com o governo da cidade, a agência local de aquecimento e refrigeração (Fortum Varme) e outras instituições.

Os mais importantes centros de dados da capital participam da iniciativa e o número vem crescendo na mesma medida a necessidade de consciência ambiental, além do dinheiro ganho com o novo modelo de aquecimento.

O transporte de calor é bastante simples: a água fria entra nos centros de dados através de canos, sendo usada para gerar o ar frio, evitando o superaquecimento dos servidores.

A mesma água, que é aquecida no processo, retorna aos canos e segue para as dependências da agência, de onde é distribuída para aquecimento das casas.

A ideia foi tão bem avaliada que outros projetos menores estão sendo implantados em países nórdicos, como a Finlândia, onde o calor do centro de dados vem sendo usado para aquecimento de residências de uma pequena cidade. Programas semelhantes também vêm sendo implantados na França, nos Estados Unidos e no Canadá.

A Suécia pretende gerar calor suficiente para aquecer 2.500 apartamentos neste ano de 2018, podendo chegar a atender a 10% da demanda de aquecimento da cidade até 2035.

Com isso, é possível economizar energia e garantir o aquecimento das residências com menos de 10% da energia atualmente necessária.

Aproveite que você conheceu uma nova ideia e verifique agora mesmo a velocidade de sua internet, antes que seu aparelho esquente demais.